Tradução simultânea na coletiva da Espanha gera constrangimento

No dia 9, a Copa do Mundo nem tinha começado quando ocorreu uma gafe na tradução simultânea de uma coletiva de imprensa. E pior, em espanhol, língua conhecida por brasileiros.

A Espanha nem é obrigada a colocar um tradutor em suas entrevistas coletivas – a não ser nas das vésperas de partidas, no estádio, que têm uma equipe de tradução simultânea para diferentes línguas. Mas, neste caso, resolveu abrir uma exceção, devido à grande presença de jornalistas do país-sede. Só que não deu nada certo.

O tradutor brasileiro se enrolou, trocou “balón” por “valor”, pediu ajuda a atleta, não entendeu perguntas e causou até risos entre os jogadores presentes na bancada – Albiol e David Silva. Thomas Hecke, o tradutor, tem 51 anos, trabalha com turismo e está a serviço da Espanha para ajudar no contato com a imprensa.

A primeira pergunta, por exemplo, foi sobre a Espanha jogar de branco na estreia – os resultados com esse uniforme não costumam ser tão bons. Albiol respondeu que não via grandes problemas. Mas Hecke traduziu como se a conversa fosse sobre o uso do branco nos uniformes de treino, e tratou “rojo” (vermelho) como se fosse roxo.

Na tradução de uma pergunta ao goleiro Casillas sobre a bola da copa, “balón”, em espanhol, o tradutor trocou “balón” por valor – virou uma resposta sobre o valor da Copa para a Espanha.

As respostas, aos poucos, se tornaram genéricas, quase sempre diferentes daquilo que os jogadores diziam. Houve um momento em que o tradutor esqueceu o que o repórter perguntara a David Silva. E pediu ajuda ao jogador, que ficou cochichando em seu ouvido por alguns segundos, enquanto Albiol olhava para a assessora de imprensa da Espanha e ria.

Na resposta, o jogador falou sobre sua primeira lembrança em um Mundial e citou o ex-jogador Luis Enrique e a cotovelada que levou de Tassoti em 1994. O tradutor soltou um “José Henrique” e depois acrescentou que não sabia o nome – enquanto David Silva olhava para Albiol e ria.

Depois de tantos tropeços, as duas últimas respostas foram traduzidas corretamente. Hecke, procurado pela imprensa após a coletiva, argumentou que estava tendo dificuldades para escutar as perguntas dos jornalistas, embora a maior parte das imprecisões tenha sido nas respostas, com os jogadores ao lado dele. Ele não sabe se voltará a fazer o papel de tradutor em coletivas.

Fonte: Globo Esporte